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    Textos simplórios de um espectador perverso. E sem a autocrítica do blogueiro, não vale! (Visualizem essa budega pelo Firefox; ele não é amigo do Explorer)

Morte do cinema

Vi um trechinhos do Goya do Milos Forman. Em determinado momento, após finalizada sua tela, o pintor a entrega para uns ajudantes que a levam a um complexo e trabalhoso processo químico e mecânico de finalização. Nesta seqüência, o tal processo é mostrado didaticamente, a atenção toda voltada para os instrumentos e métodos utilizados. A decupagem não tem vergonha nenhuma de elencar somente planos detalhes, decapitando — com o perdão do trocadilho (o filme se passa durante a Inquisição) — os atores, tornando-os também tão-somente instrumentos, de uma maneira quase bressoniana. Enfim, fiquei, no primeiro momento, impressionado com a trabalheira requerida para que a tinta seja impregnada na tela, para se alcançar tal textura, para ser impresso e adquirido outras tonalidades ainda não reveladas quando pintadas.

Não vi o filme nem nada, mas aquela seqüência me pareceu totalmente uma digressão, um enfeite para se apresentar o mundo longínquo da diegese através desse cientificismo ultrapassado. Quero também deixar claro que a idéia de ultrapassado está bem clara, seja pela rusticidade dos materiais, quanto pela montagem, que evidencia um processo realmente absurdo.

Agora, não sei se, com a descrição tacanha que fiz, conseguiram perceber, mas pra mim a alegoria com a película era absolutamente evidente. Não que isso melhore o filme, que aliás me pareceu bem franquin’, não é nenhuma tese depalmiana nem nada, até porque é mais anatoção en passant, uma digressão, algo que não precisaria estar ali para constituir a proposição dramática, estética e etc do filme.

O que me deixou bolado, na verdade, foi constatar que, sem qualquer tom de crítica ou lamento — pelo contrário, simplesmente registrando um processo visto como exótico, ultrapassado, de época — foi constatar que não estamos nada longe (para não dizer que já chegamos ) de um filme de época, de pretensões oscarizáveis, contar a biografia de um Rossellini e, só como enfeite, mostrar aquela coisa extremamente curiosa, de outro mundo, que era a revelação do material sensível.

Mas, me entendam bem, não que eu ache o fim da película, o fim do cinema.

O foda mesmo foi ter visto esta bendita seqüência do Goya na companhia da minha avó e… baixada na Internet por ela mesma.

Agora assim, rumamos a decadência!

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