Eu não sabia — ou me lembrava, dá no mesmo — que Cronenberg e Van Sant estão bem próximos. Marcas da violência, agora revisto, tem muito, muito em comum com Elefante e, especialmente (talvez pela proximidade da minha visão), Paranoid park.
Únicos cineastas que sabem registrar a violência de um close-up, que moldam um labirinto caótico através das conseqüências irreversíveis do enredo, que despejam na superfície da imagem, mesmo — ou por ser — banhada por uma luminosidade de uma candura pictórica, todo o mal do mundo.
Bom, estou sou batendo punheta. Realmente tô delirando após o impacto do filme — eu efetivamente acabei de ver.
Ainda assim, onde está o mal? Não seria ele a neutralização absurda destes acontecimentos? Não seria ele o dispositivo capaz de chapar as ações na superfície impassível e cândida da imagem? Ou seria isso o perdão?
O belo, este elemento intocável, seria, pois, o feio; e a maldade, o perdão. Não há condenações nem complacências, somente esta neutralidade, essa estranheza que se instala e se areja, a irreversibilidade de uma narrativa que nos conduz, ao mesmo tempo, ao horrível e ao pleno, ao céu e ao inferno.
E só resta Viggo Mortensen, na lágrima que é propriedade sua inquestionável, vislumbrar a decadência ou intencionar o perdão — mas não há dúvidas: o olhar é o mesmo.
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