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    Textos simplórios de um espectador perverso. E sem a autocrítica do blogueiro, não vale! (Visualizem essa budega pelo Firefox; ele não é amigo do Explorer)

Festival do Rio #4

Visto que o anterior era #3.

O festival está muito bom, obrigado. Tenho 11 filmes que são definitivamente bons, sem qualquer entonação blasé. Posso até dar uma de chato aqui no blog, fazendo ressalvas e tal, mas tenho realmente gostado muito dos filmes. E tenho os visto bem, sem desatenções (o que é extramamente comum pra mim). Só 2 filmes eu dormi, porque estava cansado com o trabalho de set no dia em O borrão! Um deles, A idade da Terra, qualquer dia vejo de novo. Outro, Em Paris. Nem vi direito, mas já não gostei. Filme descolado, cool, punhetação de Nouvelle Vague, da vulgarização da jump cut, do tom musical… tomar no cu. Aliás, ando impressionado com uma certa indisposição minha com o Cinema Moderno.

Já comentei que Floresta dos lamentos foi um tanto superestimado, e acho o mesmo de I’m not there. É legal que os meus amigos concordam e não me sinto tão sozinho nessa — grande Pedro! Acho a proposta do Haynes ambiciosa, instigante, muito criativa. Mas, hmm, bem, um filme não acaba na proposta. Acho que tem muita gente por aí que não entende isso! Eu, eu João Gabriel, realmente preciso VER a necessidade de cada plano, de suas relações plásticas, em uma estrutura geral que me pareça organizada. Na boa, propor o caos não é conseguir o caos. O caos tem que ser organizado, amém Noel Burch! Quem discorda, que fique com os video-clipes, com os novos produtos pós-moderninhos, eu fico com MISE EN SCÈNE.

Graças a Deus que, em paralelo a essas pequenas decepções (vale dizer que são filmes que gosto, e até respeito quem gosta bastante), existe Apichatpong, Van Sant, Reygadas. Aí eu me lembro bem o que é essa experiência orgânica e absoluta do cinema moderno.

Enquanto isso, a dramaturgia cênica, o “ofício”, esse tem sido o forte do Festival esse ano (basicamente, coincidindo com um gosto que vou tomando por esse cinema). Lembro da introdução do texto sobre A comédia do poder, os filmes très français, e venho discordando disso durante o festival. Breillat, Ferran, Chabrol, Téchiné… Isso não é preguiça, não é academicismo. Não é fácil fazer esses filmes. Eu diria que é bem mais fácil a decupagem, a “solução”, do Haynes do que a desses caras. Mas não vou me extender por enquanto.

Ando sem tempo. Não tô nem vendo direito a cobertura do festival na Cinética e na Contracampo. Não tenho feito nada, aliás. Eu durmo, como e vou ao cinema. Saúde mental lá em cima =)

Com Ferrara e Rivette pintando amanhã, na quarta, fudeu geral. Só vou confirmar o que ando pensendo, sentindo, de cinema.

Por enquanto (e provavelmente, só será isso mesmo), cotações:
Uma velha amante ***
Cristóvão Colombo *** (talvez ***1/2)
Lady Chatterley ***1/2
Em Paris *
A idade da Terra ??????????
Daqui pra frente *
I’m not there **
A cada um seu cinema * (bons episódeos de Kiarostami, Manoel, Cronenberg, esqueci…)
Paranoid park ***1/2

3 Respostas

  1. “Eu diria que é bem mais fácil a decupagem, a “solução”, do Haynes do que a desses caras.”

    Só uma pergunta: qual é a “solução” e a facilidade da decupagem de Haynes?

  2. Léo, sinceramente fiquei vidrado com a confusão que o filme propõe, os diversos fluxos narrativos que não se convergem, um troço louco e brutal. Mas isso é exclusivamente trabalho do roteiro e da montagem. Em que momento vc repara no olhar que Haynes dá ao seu objeto? Me parece que ele entrega todo o vigor para o icônico, para os elementos gráficos mesmo (desde as diferentes personas do Dylan, passando pelas ambiências, o jogo entre pb e cor, etc…), esse mundo perfeito que a câmera só precisa filmar de que qualquer jeito que dará no mesmo resultado.

    Ou você vê uma função rítmica fundamental nos planos detalhes da Cate Blanchett engrenando a moto? Nos travellings de gruas? No uso do P&B, que tanto poderia ser para qualquer outra história paralela, ou simplesmente nem existir? Não é bem o conceito de “câmera invisível” que eu estou combatendo, mas sim dessa câmera sem qualquer vontade de olhar, que só existe como mero recurso para registrar um conceito plástico que existe independente dela, conceito que não precisa ser debatido, não precisa ser visto (pela câmera, pelo espectador), e tão somente ser entendido, justificado. Ou seja, um deslumbramento à distância, de quem entende o conceito, mas não vive, não olha pra ele.

    Quando eu utilizei o termo “solução” me refiria a tarefa da decupagem de ter um olhar para a cena, de ter que solucionar visualmente a cena. Como não há qualquer preocupação em um olhar diferenciado — já que a sacação se basta nela mesma –, essa solução só pode ser a mais fácil (a de expurgar um olhar retórico e simplesmente instalar a cena, a narrativa, o ritmo por eles mesmos).

  3. [...] “Eu diria que é bem mais fácil a decupagem, a “solução”, do Haynes do que a desses caras.… [...]

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