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Regras de como não se deve fazer um filme
1) Você é um diretor estreante. Portanto não sabe porra nenhuma do que está fazendo. É uma mentira achar que sabe. Pode até achar que sabe, mas em algum momento descobrirá que não sabe. Se mesmo assim não descobrir, você é um completo imbecil e não deve mais fazer filmes.
2) Jamais faça filmes em 35mm.
3) Esqueça todas as influências quando for falar ao restante da equipe. Não dê referências, porque elas serão distorcidas. Deixe com que os outros dêem referências para melhor analisá-las.
4) Não se leve nunca a sério. E quanto menos fru-fru melhor. Lembre-se: você é um diretor estreante, obviamente não sabe a razão (e a dimensão) do fru-fru que está a se empenhar.
5) Desista o quanto antes de interpretações anti-naturalistas.
6) A preparação de um projeto começa pelos atores e as locações. Somente com isso 100% certo, é que se começa uma pré-produção de, no mínimo, 4 meses. São só eles (atores e locações) que importam, mais nada. É com eles que finalmente se descobre qual é o tom do filme.
7) Preferível sempre saber o que não gosta do que aquilo que gosta.
(…)
São essas as máximas do momento. Vou tentar pensar em outras.
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Tarantino’s 2009 top 8
Me fez repensar algumas coisas que supunha da carreira do cara. E acho que a lista é só do circuito dos EUA.
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Faço uma autocrítica em relação ao texto do Avatar (que era mais sobre o 3D, na verdade).
Era para ser um “chega pra lá” com os ensandecidos iniciais, mas ficou uma parada totalmente Noel Burch. Caí na onda de ver “a revolução”, o que obviamente é puro marketing. Os que tem falado do filme, entre o morno e o bem satisfeito, é sobre o fato de Avatar ser só mais um filme. Bem, não era esse caráter que eu me lembrava de O segredo do abismo ou de O exterminador do futuro 2, mas até aí nenhum problema.
Quero então só pensar algumas coisas em relação ao filme, e tentar investigar por quê ele não me entusiasma. Gosto sem dúvidas do roteiro, que tem uma estrutura muito bem articulada, na apresentação e no crescimento narrativo, e uma precisão enorme de possibilitar a todos os detalhes serem significativos. Por outro lado, a trama desanda para coisas muito óbvias, senão constrangedoras: a repetição dos diálogos “eu vi você”, o casal principal, alguns personagens mais deslocados (a fuzileira rebelde, por exemplo — preciso adicionar que a personagem é interpretada pela Michelle Rodriguez, uma das mulheres mais gostosas do planeta!). Gosto do fato de os nativos serem desproporcionalmente mais fracos em relação aos homens, e o isso só ser realmente possível constatar na primeira investida (evidentemente tornando a guerra mais descontextualizada, mais desnecessária, etc.). Mas, na boa, o negócio de mãe-natureza me enxe um tanto o saco.
Agora, finalmente, sobre o “visual”. Pode ser “bem feito”, pode ser “bonito”, mas criativo eu não compro. No fundo, é o mundo perfeito, o “original”, do nosso — e tem a ver com toda a proposta do filme, beleza. De qualquer forma, ter “vida”, ter a pulsação do órbita do planeta, isso é mais que um CGI. É o tal do “mistério” com o qual eu lembro que Abismo tinha. O mistério é algo até colocado no filme (as forças ocultas e primárias da natureza; aquela árvore mitológica; etc.), mas ele está totalmente ridicularizado em discursos bonitinhos.
Além disso, esse visual e esse universo tem alguma matriz muito nerd que me distancia. É tudo meio levado a sério nos detalhismos, o que briga de alguma forma com uma imaginação que nem pretende sair das referências terrestres. Acho que é um filme sério e pomposo demais. Platinhas fosforecentes? Give me a break…
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Segurança Nacional
Seria legal ficar ansioso por Segurança nacional, filme de ação em que narcotraficantes (da Colômbia, eu acho) querem meter uma bomba no SIVAM em Manaus.
O trailer promete. Tem, no mínimo, perseguição de lancha, jato e carro. Thiago Lacerda faz algo como 007. Milton Gonçalves como o nosso Obama.
Gostaria também de esperar por uma trama mostrando workaholics autômatos se comprometendo com a pátria. É o que tornaria o filme realmente vinculado ao filme de ação (filmar o trabalho, afinal de contas), mas vejamos o que teremos pela frente.
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Mais tops…
Melhores da década que se dane…
Quer dizer, mais ou menos né? Só não me sinto muito a vontade de fazer uma dessas por agora.
Isso em grande parte porque me considerei cinéfilo (é sério, foi uma coisa meio “hoje acordei cinéfilo”) a partir de O homem que não estava lá, dos Coen, que considerei o melhor filme de 2002. E de lá até hoje, mudei radicalmente o gosto. Algumas coisas, é claro, permanecem e, principalmente, se consolidam. Ver É proibido fumar, da Anna Muylaert, me trouxe isso: um mesmo fascínio que havia guardado de Durval discos que eu pude entender melhor. Muylaert trabalha com o estado obsessivo com uma frontalidade, com uma lógica, e é bom saber que esse gosto é, digamos, “original” meu.
Mas, enfim, de 2002 para cá, comecei a anotar o que via. Desde 2003, faço tops dos filmes do circuito e, posteriormente, também do festival do rio. Uma nerdice que agora me pareceu útil. Quero compartilhar com “vocês” (quem são vocês? sempre esperava que fosse só meus amigos… mas isso é assunto pra outro post) os tops de 2003-05. Em 2006, entrei na faculdade, portanto converti-me ao pela-saquismo, não havendo, assim, grande coisa a divulgar (talvez, daqui uns 10 anos…).
Atualmente me parecem as listas mais acuradas para saborear a década…
2003
1) Adaptação, de Spike Jonze
2) Tiros em Columbine, de Michael Moore
3) O pianista, de Roman Polanski
4) Durval Discos, de Anna Muylaert
5) As confissões de Schmidt, de Alexander Payne
6) Chicago, de Rob Marshall
7) Confissões de uma mente perigosa, de George Clooney
8) Agora ou nunca, de Mike Leigh
9) Sobre meninos e lobos, de Clint Eastwood
10) Spider — Desafie sua mente, de David Cronenberg
2004
1) Dogville, de Lars Von Trier
2) Encontros e desencontros, de Sofia Coppola
3) Elefante, de Gus Van Sant
4) Kill Bill — vol. 2, de Quentin Tarantino
5) Má educação, de Pedro Almodóvar
6) Igual a tudo na vida, de Woody Allen
7) Entreatos, de João Moreira Salles
8) Os incríveis, de Brad Bird
9) Para sempre na minha vida, de Gabriele Muccino
10) O pântano, de Lucrecia Martel
2005
1) O aviador, de Martin Scorsese
2) Desejo e obsessão, de Claire Denis
3) Sin City, de Robert Rodriguez e Frank Miller
4) Cinema, aspirinas e urubus, de Marcelo Gomes
5) Guerra dos mundos, de Steven Spielberg
6) Exílios, de Tony Gatlif
7) Kinsey – Vamos faalar de sexo, de Bill Condon
8) A vida marinha de Steve Zissou, de Wes Anderson
9) Cidade baixa, de Sérgio Machado
10) Água negra, de Walter Salles
(…)
Acho que já havia publicado essa lista no blog antigo. De qualquer forma, vamos de novo, porque não me canso de apreciá-la. Me faz lembrar das sessões e das ideias que tive, e das que tenho. É o “sabor” da década, enfim.
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Top 7 Circuito Comercial Carioca
Minha lista. Tudo diferente este ano: sem ordem de preferência, sem chegar a 10 títulos (constam somente os que eu considero que mereçam destaque), e sem nem mesmo chegar ao final do ano (perdi o saco e duvido que seja Almodóvar ou Wes Anderson que vão me surprender. Se morder a língua, aviso).
Em ordem alfabética:
Amantes, de James Gray
A erva do rato, de Julio Bressane
A fronteira da alvorada, de Philippe Garrel
Gran Torino, de Clint Eastwood
Inimigos públicos, de Michael Mann
Moscou, de Eduardo Coutinho
A troca, de Clint Eastwood
Que coisinha sem graça, né? Nada pessoal com os filmes. Mas são os mesmos nomes, em trabalhos que a maioria deles já tinha feito antes e melhor. De qualquer forma, são todos ótimos filmes e por isso estão presentes. Mas ficou uma coisa óbvia. Seria bem legal colocar um Operação Valquíria para dar uma arejada, mas seria muito show-off (eu gosto do filme do Brian Singer, mas não tanto).
Poderia dizer que completaria o top 10, mas acho que é algo que possa mudar mais fácil que esses 7 aí. Também porque ando ranzinza.
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Sobre o 3D
Como meu comentário sobre Tropa de elite, detesto os assuntos do momento. Se Avatar vai ter longevidade no futuro, vai ser, no máximo, a mesma de, say, O cantor de jazz. Todo mundo de cinema sabe o que é O cantor de jazz. Mas você já viu? Gostou? O filme em si é memorável? Pois é…
E afinal de contas, o que é Avatar em 3D? Ah, tem umas mudanças de foco, uns travellings-out, a ênfase no espaço atrás-da-câmera. Ou seja, questão de enfatizar a profundidade em linguagens que já conhecemos. Agora: por que enfatizar a profundidade? Errr, isso não tem resposta, né? São avanços da tecnologia, ué, não reclama!
Talvez o 3D nos dê ainda descobertas. O uso do som, o scope, as cores, ao longo do tempo temos exemplos de como trabalhá-los.
No mesmo dia de Avatar, sai com minha irmã pequenina para a casa de uma amiga dela. Ela tinha um videogame daqueles interativos — tipo, se vc for jogar tênis, o movimento e posição do controle estará em consonância com a raquete virtual. O joguinho é um 2D basicão, quase sem formas e volumes. Mas temos aí um 3D que não confudimos com aumento de profundidade. Será mais interessante quando se descobrir este novo atrás-da-câmera. Do contrário, me parece somente paliativo para a industria conseguir recuperar o fôlego.
Sobre Avatar, nada a dizer. Veículo para tecnologia, somente.
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Praça Saens Peña
Conheci pessoalmente o diretor, é um cara simpático. Simpático, mas que não entende lhufas do que está falando sobre seu filme. Daquela vez, tinha citado uma forte influência de Lucrecia Martel.
Pois bem, se vc for ao cinema procurando por traços de Martel, mesmo por wanna-be-Martel, não vai achar nada. Tô até agora conseguindo pensar da onde o cara acha que o filme dele tem o peso da visão de O pântano. Mas isso não é a questão (obviamente…).
Praça Saens Peña é mais algo entre Domingos Oliveira e comédia certinha “independente” americana. Sem rótulos, o negócio é que o diretor Vinícius Reis tem uma forte sensibilidade para a interpretação e os personagens, e o trabalho dele vai estar investidos nas falas e nos gestos. Isso acaba contaminando a decupagem, que muitas vezes trabalha com planos-sequência em steady, se deslocando do ponto mais sensível ao outro da cena, como se tivesse preguiça de se posicionar diante da cena. Incrível como todos os momentos que a câmera relaxa e fica parada o filme parece fluir bem melhor — notar a primeira aparição do pai que perdeu o filho, de costas à câmera; ou todos os planos em esquinas da Praça Saens Peña, filmando a cidade na sua efervescência.
No geral, o filme é muito óbvio, e um tanto perdido no foco dramático (às vezes vc acha que o protagonista é o pai; depois é a filha; depois é a mãe; mas nunca se acha que o foco é a família reunida).
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