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    Textos simplórios de um espectador perverso. E sem a autocrítica do blogueiro, não vale! (Visualizem essa budega pelo Firefox; ele não é amigo do Explorer)

O carioca

Entre uma sessão em película de curtas contemporâneos do Straub e um açaí responsa em Ipanema, reunidos pelo calor desumano de 38°, tive a prova que a marra carioca não é um mérito, nem uma farsa, mas uma necessidade.

O espectador

Revisão de Bastardos inglórios, na Gávea, segunda de feriado, às 18h45.

Comprei o ingresso algo como 18h20. Só dois ingressos disponíveis. Cadeira numerada, tive de sentar lá em cima. O público desta região é, obviamente, terrível.

Atrás de mim, como um surrond, um casal, notadamente a dama, comenta sem parar o filme. O sotaque do Brad Pitt, a violência dos Bastards, a chatura daquele soldado que fez Adeus, Lênin, etc. Mas não é que foi uma experiência recompensadora?

Geralmente pensaria logo em fazer um “chiii” (atitude algo grosseira, que me incomoda, como se eu fosse o portador da boa educação), mas na verdade, especialmente para uma revisão, foi bom negócio. A moça do casal certamente seria melhor crítica que qualquer pessoa do RioShow. Ela até adivinhou que o Hans Landa falava italiano fluentemente!

E há outros exemplos, não lembro no momento. O fato é que o espectador que fala comprova a visão ativa diante da tela, capaz de extrair percepções um pouco mais sutis que um filme potencializa.

(No entanto, é talvez de uma experiência “passiva”, como À prova de morte, que o olhar se torna, contrariamente, mais inquieto, como no agurde para o preenchimento de um dinamismo que não virá jamais).

À prova de morte…

Estou impressionado com este, errr, penúltimo filme do Tarantino.

(Um primeiro parânteses: baixei o filme pelo torrent, porque me senti desatuliazado ao ver Bastardos sem um antecessor novinho. Por sinal, o antecessor da memória, Kill Bill, especialmente o 1, me incomodava bastante e às vezes surte este efeito no bom, mas que já farejo uma certa superestimação, Bastardos).

(Deu para entender CLARAMENTE porque o filme não estreou — ainda que seja um absurdo, ainda que o nome Tarantino signifique mais do que tudo. O que aliás já denuncia as qualidades deste projeto).

Como eu ia dizendo: impressionado.

Vejo um trabalho de edução do espectador que não vejo mesmo no Kill Bill 1 (talvez no 2, a se rever), Bastardos e Pulp Fiction (Cães e Jackie Brown nem sei se merecem a conduta rígida que é investida em À prova de morte). À prova de morte não tem nenhuma brincadeira (algumas brincadeirinhas descenessárias com a película, mas isso é um detalhe no filme, algo que justamente me incomoda muito no Planeta terror), e a sabotagem às expectativas do espectador perde o efeito de piada na incompreensão do tempo e nesse  sonho de liberdade com que vivem os “gêneros” — e então estamos livres da asfixia do ícones. É um amaravilhamento indescritível, este do laconismo e da precisão, o tipo de coisa de uma dimensão (e de várias dimensões…) bem mais ampla do que a nossa inocência poderia supor. (Aliás, não é isso que aconteceu também com Jackie Brown?)

(Mais parênteses: li que Pedro Costa preferia ser comparado a Tarantino do que Kiarostami. Espero que ele esteja se referindo a À prova de morte.)