• Estatísticas vaidosas de um blogueiro

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    Textos simplórios de um espectador perverso. E sem a autocrítica do blogueiro, não vale! (Visualizem essa budega pelo Firefox; ele não é amigo do Explorer)

Balanço de fim de ano

O final do ano já está chegando (wishful thinking da minha parte também). Ontem recebi um documento que estava ansiando, daqueles que contiam todas as estreias no circuito comercial do Rio.

Geralmente, eu preencho os filmes que chegam em cartaz conforme os vejo, mas esse ano perdi totalmente o hábito de anotar minhas idas ao cinema. Por isso, tava aguardando muito esta lista, para já pensar num balanço geral do ano.

Estamos em meados de Novembro, e vi 43 títulos. É bem abaixo da minha média, que costuma beirar 70 ao final do ano. Este ano nem devo chegar a 60. De qualquer forma, o fato é que não perdi nada de relevante, pelo que eu vi na listinha, agora já mais distanciado do calor das estreias.

43, mas não necessariamente vistos no circuito. Pelo contrário. 15 destes foram vistos em outras condições, como Festival do Rio, Mostra de Tiradentes, entre outros. Ou seja, diminui muito as idas ao cinema, muito mesmo.

Mas, no fundo, o mais importante desta história toda é a qualidade. Após a listagem, o ranking. Céus! Depois de 5 títulos dignos de top 10, uns 7 dignos de top 20, e 2 dignos de top 30, o resto não merecia nada, mas ainda estava lá beirando o top 20 do ano. E sabe-se lá por que tive qualquer boa impressão do ano. Tenebroso. E acredito realmente que o que perdi era perdível: Simplesmente feliz, Atrizes, Pagando bem, que mal tem?, O milagre de Saint Anna, Ninho vazioArrasta-me para o inferno, Ches, Anticristo, Watchmen. Vá lá, alguns desses devem são bacaninhas, quem sabe até bacanas. Mas vou realmente morder a língua se for algo digno de top 10. A maioria, francamente, só queria ver por curiosidade mesmo.

Falta ainda algumas coisas para ver e aterrisar. Mas nada realmente ameaçador quanto Avatar.

Veremos!

PS: Estou obviamente desconsiderando como estreias Guerra ao terror, A viagem do balão vermelho e Diário dos mortos.

O carioca

Entre uma sessão em película de curtas contemporâneos do Straub e um açaí responsa em Ipanema, reunidos pelo calor desumano de 38°, tive a prova que a marra carioca não é um mérito, nem uma farsa, mas uma necessidade.

O espectador

Revisão de Bastardos inglórios, na Gávea, segunda de feriado, às 18h45.

Comprei o ingresso algo como 18h20. Só dois ingressos disponíveis. Cadeira numerada, tive de sentar lá em cima. O público desta região é, obviamente, terrível.

Atrás de mim, como um surrond, um casal, notadamente a dama, comenta sem parar o filme. O sotaque do Brad Pitt, a violência dos Bastards, a chatura daquele soldado que fez Adeus, Lênin, etc. Mas não é que foi uma experiência recompensadora?

Geralmente pensaria logo em fazer um “chiii” (atitude algo grosseira, que me incomoda, como se eu fosse o portador da boa educação), mas na verdade, especialmente para uma revisão, foi bom negócio. A moça do casal certamente seria melhor crítica que qualquer pessoa do RioShow. Ela até adivinhou que o Hans Landa falava italiano fluentemente!

E há outros exemplos, não lembro no momento. O fato é que o espectador que fala comprova a visão ativa diante da tela, capaz de extrair percepções um pouco mais sutis que um filme potencializa.

(No entanto, é talvez de uma experiência “passiva”, como À prova de morte, que o olhar se torna, contrariamente, mais inquieto, como no agurde para o preenchimento de um dinamismo que não virá jamais).